16 de abril de 2015

Ahhhh, o Centro... Como gosto do Centro da cidade!!!

Um dos lugares de São Paulo que eu mais gosto é o Centro da cidade. Meu primeiro emprego com carteira assinada foi na Rua Líbero Badaró nº 293 - 7º Andar (Edifício Conde Prates) esquina com o Viaduto do Chá.

Edifício Conde Prates
A Empresa chamava-se ADP Clearing do Brasil e era uma central de processamento de informações de bilhetes aéreos. Todos os bilhetes aéreos vendidos em território nacional iam pra lá e as informações eram processadas num sistema simples de computador.

Lá era tipo uma central de telemarketing, mas sem telefones e chamadas, apenas computadores e muitas operadores digitando sem parar. O serviço era muito simples, mas exigia muita atenção, não podia haver erros na digitação nem no arquivamento dos bilhetes, tipo uma companhia aérea ser arquivada em outra (falha grave).

Bilhete automático
Bilhete manual (era parecido com esse)
Trabalhei lá por dois anos e costumo dizer que foi lá que eu aprendi a ser gente. Trabalhar no Centro foi um passo grande na minha vida, tive contato com pessoas de todas as regiões de São Paulo incluindo Grande São Paulo. Sem falar o fato de estar bem no meio do olho do furacão (Viaduto do Chá de um lado, Viaduto Santa Efigênia do outro, Rua São Bento e Direita logo ali, Teatro Municipal, Vale e Túnel do Anhangabaú e aí vai).

Foi meu primeiro contato com a Galeria do Rock, eu fui na inauguração do Shopping Light, eu vi a decadência do Mappin, aprendi os atalhos pelos calçadões para chegar até o Banco (Rua da Quitanda e XV de Novembro), o Sebo no Largo São Francisco (comprei vários discos lá), muito legal!

Mappin venha correndo, Mappin!!! (fechou em 1999)
Diante de tudo isso, às vezes até me esqueço que acordava às 3:30 da madrugada, saía às 4:15 e entrava às 6:00, eu vivia com sono. Uma vez, voltando pra casa, adormeci no ombro de um rapaz, quando despertei fiquei com tanta vergonha que nem conseguia olhar pra ele. Mas foi uma época boa!

Curiosidades sobre a ADP:

  • às vezes recebíamos bilhetes de pessoas famosas, uma vez alguém viu o bilhete da Xuxa, ele passou de mão em mão, menos na minha;
  • cheguei a tirar xerox de um bilhete da Cássia Eller e outro do Jimmy Page;
  • o almoço do pessoal do turno da manhã era às 9:30;
  • as mesas eram de madeira, uma do lado da outra, ocupando duas salas, em cima delas tinha um tipo de estante com várias casinhas, chamadas de casilheiros;
  • os mais diversos tipos de garotas passaram por lá: altas, gordas, feias, fofoqueiras, profissionais, baderneiras, crentes, esculhambadas, santas e mães (o legal é que eles contratavam pela capacidade e não pela aparência);
  • em 2000 teve um boom de meninas grávidas, vários bebês nasceram naquele ano;
  • cada companhia aérea tinha um número: Varig 042, Transbrasil 653, Tam 977, Rio Sul 293, Vasp 343 (essas eram as mais populares, a Gol e a Azul ainda não existiam);
  • os bilhetes eram arquivados em caixas que pareciam muito com caixas de sapato;
  • cada menina tinha um nº de usuário e éramos chamadas pelo nº de operadora, o meu era 894.
Às vezes o sol vinha nos visitar em nossas mesas...
É, o Centro me encanta, gosto muito de circular por lá mesmo com toda aquela gente estranha vagando. E amanhã, lá vou eu me aventurar por aquelas ruas estreitas e cheias de gente. Não me importo porque o Centro sempre será um lugar especial em meu coração.

Lucimara, Célia, Beth, Regi e Janice... Velhos tempos!!